A espera de um bebê mobiliza uma vasta rede de sentimentos. Notadamente, são os pais que passam por grandes desacomodações. Desta forma, relembram a infância, projetam no seu filho grandes ideais, expectativas e, assim, antes mesmo do nascimento, incide sobre aquele bebê demandas que, de forma mais tênue ou mais incisiva, participarão de sua formação. Então, inevitavelmente, o sujeito, antes mesmo de nascer, teve um dia o endereçamento de um ideal parental. E, é dessa forma, que a criança vai tornando-se objeto de desejo.
E, todas as demandas a ela direcionadas serão tomadas pelo afeto. Começamos pelo nome... O nome escolhido ou ainda, desejado, gera importantes inquietações entre os pais. O nome carrega atributos e, junto a estes espera-se uma resposta da criança. Então, um pai, avô, outra figura marcante que mereça admiração e reconhecimento, podem um dia, ter sido motivor do nome. E, o que fazer com esse nome? Como dar identidade e originalidade ao mesmo?
De fato, o Ideal não é sempre o que se tem como Real. O nome deve ser preenchido pela identidade, deverá carregar a personalidade daquele que vai assiná-lo. A história de um nome jamais é perdida, afinal, ela carrega algo de grandes significados para os envolvidos. Por isso, tantas discórdias na escolha de um nome... Vivências de um passado vem a tona e revelam-se através do Outro, que talvez carregue a grande tarefa de fazer diferente. Libertar-se dos anseios projetados e conseguir imprimir sua identidade aquele Nome cheio de significações e tão preso a simbolismo é um desafio. Assim, naturalmente, o nome vai desprendendo-se da primeira origem e vai colocando-se a serviço daquele outro sujeito que o porta, pautando-lhe uma nova história.

